terça-feira, 22 de junho de 2010

Empolgação junina




A melhor parte do recesso de junho/julho é não ter obrigações a cumprir, e ficar largada durante duas semanas. Se você consegue se animar com o São João e está louco(a) para dançar forró, parabéns. Não tenho essa disposição. Na verdade, estou indo até viajar amanhã, mas nada que vá mudar meu espírito inerte. Só estou trocando minha cama pela cama da casa da minha avó. Sintam a decadência.
Enfim, o blog vai ficar sem atualização. Essa é a parte boa, porque ando sem inspiração ultimamente, e isso já serve de justificativa.

P.S. Se você está lendo um post insignificante como este, é porque deve estar mais ou menos como eu. Um abraço para você, colega. Mas se você for uma pessoa que tem vida social e está empolgada com a época, parou no lugar errado. Pode ir aproveitar suas festinhas e não precisa se compadecer com minha situação não, viu. ;)

sábado, 19 de junho de 2010

Ficha limpa, integridade e o cupuaçu

Já faz umas duas semanas que Lula sancionou a nova lei do Ficha Limpa, que começou humildemente como campanha da CNBB - aê, finalmente a igreja fez algo que preste -, e agora nossos queridos políticos não poderão se candidatar caso conste algum podre em seus históricos. Maravilha, vai acabar a corrupção no Brasil. Será?
Não podemos esquecer que, antes do presidente sancionar ou vetar qualquer projeto de lei, o dito cujo precisa ser aprovado por votação no Congresso. Ou seja, primeiro passa pela Câmara dos Deputados e depois vai para o Senado. Alguns tentaram adiar para as próximas eleições, outros tentaram abrir brechas para continuarem no "direito" de estar no poder, tentando tornar a lei inválida para aqueles já condenados antes da sanção, mas nada disso deu certo. Não só já é constitucional, como o TSE já definiu que será aplicada nas eleições de 2010. Tudo muito lindo, coisa inédita no Brasil.
Mas qual corrupto daria um tiro na própria cabeça votando a favor quando ainda era projeto, fazendo de si próprio inelegível? Na Câmara, foi aprovado com 388 votos a favor e apenas um contra. E esse único deputado ovelha-negra disse depois que errou o botão (hein?). Parece piada, mas é verdade, pasmem! Nossa Câmara é muito honesta e nem sabíamos. No Senado, ainda mais admirável: nenhum voto contra, nem por acidente. Já podemos nos orgulhar de tamanha integridade?
Minha opinião: eu tenho esperanças de que essa lei seja realmente útil e nosso país dê um grande passo. Mas não tem como não desconfiar de um resultado como esse, quando se sabe das manchas que existem nos três poderes. Talvez haja algo por trás e eles estejam tramando um plano maquiavélico para ficar onde estão, muahaha. Só resta aguardar as eleições para ver.
Podiam mesmo era fazer uma lei contra político que cria projeto tentando proibir que animais de estimação recebam nome de gente - mas eu vou apoiar este se alguém quiser chamar um pobre cachorro de ACM ou Sarney, é muita ofensa para o bichinho -, ou que o cupuaçu receba título de fruta nacional, porque isso existe mesmo, e podem não ter nenhuma pendência com a justiça, mas são zeros à esquerda e gastam dinheiro público com inutilidades e bizarrices.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Auto-censura

Sabe a sensação de querer dizer algo e não poder? É cruel, mas acontece. Às vezes parece que o silêncio é mais sensato do que a opinião, mesmo que o ato de calar-se seja um tanto frustrante, mas ainda assim sendo melhor que encarar consequências de um 'eu acho' mal expressado, ou talvez mal compreendido. Quando o medo de revelar pensamentos é maior que qualquer vontade de compartilhá-los. Quando se imagina a reação do outro, talvez de forma exagerada, mas que se sabe que não resultará em uma situação confortável.
Palavras não são sempre bem-vindas e é preciso cuidado com elas. São tão causadoras de discórdia e rejeição como do contrário. Mas é mais seguro não expor as conjeturas que se faz quando o efeito pode ser negativo. As pessoas fazem juízos equivocados facilmente, e isso sim é difícil de consertar.
É mais ou menos por isso que tenho um excesso de "prudência ideológica" (ou talvez uma falta de coragem do mesmo caráter), e por enquanto eu até prefiro me manter assim. Quem sabe um dia, talvez, torne-se mais fácil colocar muita coisa para fora. Eu espero que sim.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Patriotismo de Copa

Já há algum tempinho, as ruas de Salvador (e do Brasil inteiro, imagino) estão sendo enfeitadas em nome da Copa. Destaque para as adjacências de onde eu moro, onde a dedicação dos populares é algo absurdamente notável. É bandeirinha pra cá, asfalto pintado de verde e amarelo pra lá, vários "rumo ao hexa" saltando em sua cara... Um horror! A impressão é de que tudo que importa agora é a preparação para o mundial, e que quanto mais você encher as vias públicas com as cores da bandeira, mais chance a Seleção tem de ganhar.
É fácil perceber como as pessoas mudam em épocas como esta. Uma vez a cada quatro anos vira febre o tão aclamado slogan "eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", o que não é de todo ruim, mas é, acima de tudo, uma pena. Pena porque não se veem cidadãos tão empolgados quando o assunto não é o esporte. Torcer pelo país não seria tão desconcertante (pelo contrário, seria um momento para estimular a consciência nacional), se isso não fosse a única preocupação das pessoas. O Brasil continua deficiente em serviços públicos, corrupto, desigual e ignorante, mas isso não é motivo suficiente para que um bando de gente se arrebanhe em manifestações acaloradas, gritando aos quatro ventos seu amor pela pátria. Só acontece na Copa.
2010 é um ano de eleição presidencial, a hora de escolher quais os engravatados que vão acomodar suas nádegas por oito anos nas 54 cadeiras disponíveis do Senado, quais os próximos 513 deputados federais a nos ludibriar, os novos ocupantes das 26 Assembleias Legislativas e os governadores. São números que muita gente não conhece, mas se você perguntar sobre o ranking geral do Brasil em todas as Copas, são capazes de dar uma aula magistralmente.
Enfim, é um país de patriotas ocasionais, que estão mais preocupados com homens correndo atrás de uma bola e uma taça de 36,5 centímetros e 6kg do que com aqueles que decidem nossos deveres e direitos. É, simplesmente, uma pena.