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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Bette Davis Eyes

Uma coisa que eu adoro é gente com uma cara natural de desprezo. Gosto mesmo. Tipo Bette Davis com aqueles olhos. Mesmo em um momento simpatia pura, ela ainda te encara fazendo você se recolher à sua menos-que-insignificância.
Quem dera eu ter um rosto desses. É muito útil. Sempre tem aquela galerinha bonita que mede o próprio espaço te olhando. Vê, de alguma forma, em alguma parte de você, aquele espaço que você não cedeu e vai logo usando uma fórmula de aproximação social tosca. Numa hora dessas, tudo que você quer no mundo é não parecer legal. Não para essa parte da humanidade.
O rosto Bette Davis afasta gente desnecessária. Nem precisa fazer esforço. Como diria Kim Carnes, ela sabe o que é preciso para fazer um profissional corar. Com esse olhar, você tira umas fotos enquanto olha algo desprezível por aí. Coloque nas redes sociais, coloque na vida e seja feliz. É.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Da série: editando a vida

Aí que você muda de ideia. Aí que você já falou uma coisa antes com extrema convicção e pseudo-conhecimento de causa. Aí que você quer desfalar, mas não não dá mais. Aí que você se frustra. Aí que você se chama Maiara, prazer.

P.S. Voltei para isso aqui? Não sei. Veremos. Tenham paciência comigo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Ditadura da chapinha

- Nossa, você já viu a chapinha da Polishop, uma que tem vapor iônico e tira o frizz todinho?
- Não.
- Ah, devia ver. É incrível, eu tô doida para comprar.
- Hum.
- Mas eu uso uma da Ga.ma que também acho ótima, olha meu cabelo como fica.
- Legal.
- Vem cá, qual você usa?
- Nenhuma.
- Sério que você não tem uma? (expressão de quase horror diante da minha resposta)
- Sim.
- Por quê? Acho que toda mulher tem que ter uma chapinha!
- Mas eu não tenho.
- Poxa, se eu fosse você comprava uma.
- Não tenho nada contra quem alisa, só prefiro manter meu cabelo como ele é. Não faço questão de ter chapinha e pronto.
- Ah...

E aí a pessoa calou-se.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Empolgação junina




A melhor parte do recesso de junho/julho é não ter obrigações a cumprir, e ficar largada durante duas semanas. Se você consegue se animar com o São João e está louco(a) para dançar forró, parabéns. Não tenho essa disposição. Na verdade, estou indo até viajar amanhã, mas nada que vá mudar meu espírito inerte. Só estou trocando minha cama pela cama da casa da minha avó. Sintam a decadência.
Enfim, o blog vai ficar sem atualização. Essa é a parte boa, porque ando sem inspiração ultimamente, e isso já serve de justificativa.

P.S. Se você está lendo um post insignificante como este, é porque deve estar mais ou menos como eu. Um abraço para você, colega. Mas se você for uma pessoa que tem vida social e está empolgada com a época, parou no lugar errado. Pode ir aproveitar suas festinhas e não precisa se compadecer com minha situação não, viu. ;)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Auto-censura

Sabe a sensação de querer dizer algo e não poder? É cruel, mas acontece. Às vezes parece que o silêncio é mais sensato do que a opinião, mesmo que o ato de calar-se seja um tanto frustrante, mas ainda assim sendo melhor que encarar consequências de um 'eu acho' mal expressado, ou talvez mal compreendido. Quando o medo de revelar pensamentos é maior que qualquer vontade de compartilhá-los. Quando se imagina a reação do outro, talvez de forma exagerada, mas que se sabe que não resultará em uma situação confortável.
Palavras não são sempre bem-vindas e é preciso cuidado com elas. São tão causadoras de discórdia e rejeição como do contrário. Mas é mais seguro não expor as conjeturas que se faz quando o efeito pode ser negativo. As pessoas fazem juízos equivocados facilmente, e isso sim é difícil de consertar.
É mais ou menos por isso que tenho um excesso de "prudência ideológica" (ou talvez uma falta de coragem do mesmo caráter), e por enquanto eu até prefiro me manter assim. Quem sabe um dia, talvez, torne-se mais fácil colocar muita coisa para fora. Eu espero que sim.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Patriotismo de Copa

Já há algum tempinho, as ruas de Salvador (e do Brasil inteiro, imagino) estão sendo enfeitadas em nome da Copa. Destaque para as adjacências de onde eu moro, onde a dedicação dos populares é algo absurdamente notável. É bandeirinha pra cá, asfalto pintado de verde e amarelo pra lá, vários "rumo ao hexa" saltando em sua cara... Um horror! A impressão é de que tudo que importa agora é a preparação para o mundial, e que quanto mais você encher as vias públicas com as cores da bandeira, mais chance a Seleção tem de ganhar.
É fácil perceber como as pessoas mudam em épocas como esta. Uma vez a cada quatro anos vira febre o tão aclamado slogan "eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", o que não é de todo ruim, mas é, acima de tudo, uma pena. Pena porque não se veem cidadãos tão empolgados quando o assunto não é o esporte. Torcer pelo país não seria tão desconcertante (pelo contrário, seria um momento para estimular a consciência nacional), se isso não fosse a única preocupação das pessoas. O Brasil continua deficiente em serviços públicos, corrupto, desigual e ignorante, mas isso não é motivo suficiente para que um bando de gente se arrebanhe em manifestações acaloradas, gritando aos quatro ventos seu amor pela pátria. Só acontece na Copa.
2010 é um ano de eleição presidencial, a hora de escolher quais os engravatados que vão acomodar suas nádegas por oito anos nas 54 cadeiras disponíveis do Senado, quais os próximos 513 deputados federais a nos ludibriar, os novos ocupantes das 26 Assembleias Legislativas e os governadores. São números que muita gente não conhece, mas se você perguntar sobre o ranking geral do Brasil em todas as Copas, são capazes de dar uma aula magistralmente.
Enfim, é um país de patriotas ocasionais, que estão mais preocupados com homens correndo atrás de uma bola e uma taça de 36,5 centímetros e 6kg do que com aqueles que decidem nossos deveres e direitos. É, simplesmente, uma pena.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Da falta de perspectiva e os fragmentos

Todo mundo pensa no futuro (óbvio) e quase todos fazem planos ou imaginam como gostaria que as coisas acontecessem. Eu também tenho minhas ideias sobre a vida, mas não conheço pessoa mais inerte e desmotivada que eu. Sei de várias carreiras que gostaria de seguir, mas é como se todas elas estivessem a léguas de distância e eu não fizesse nada útil pra chegar lá.
Conheço muita gente passando por essa crise do quase fim do ensino médio que está simplesmente sem perspectiva de vida. Talvez meu caso nem seja tão grave, porque se eu tivesse que escolher agora uma faculdade, não teria taaanta dificuldade. Mas eu meio que acho isso insuficiente, principalmente quando me dou conta da quantidade de gente que se forma facilmente hoje em dia. Universidade já é quase trivial. Talento e dedicação é que são raros. E é nesse ponto que ainda entra a insegurança pessoal sobre a existência da minha capacidade mental. Porque eu não consigo me imaginar fazendo algo onde eu não tenha alguma notoriedade, ou, como diz uma professora, fique no nível da mediocridade.
Eu gosto de tudo um pouco, mas de nada tanto assim.
Tô mais para mosaico.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Mais um

Bem, eu já tive inúmeros blogs desde que me entendo por gente, ou, pelo menos, por alguém que usa a internet. Não sei bem o que me levou a criar esse, talvez uma pontinha de inveja de ver gente que tem blogs fantásticos postando coisas legais e recebendo elogios, mas enfim, cá estou.
Eu podia ter recuperado meu antigo Table-Spoon no UOL Blog, mas ele deve existir há uns bons 6 anos, no mínimo, apesar de eu já ter apagado todas as minhas idiotices pré-adolescentes (não que tenha deixado de ser idiota), e agora lá só tem uma foto de Peixe Grande que eu gosto muito, e que não tarda eu posto aqui também.
O que eu coloquei no primeiro post, é um verso de uma música da cantora francesa Zazie (e fica logo a dica de escutá-la), e a trecho significa o seguinte:

É bem a nossa vida,
o pior dos pesadelos,
como fechar os olhos?
Quando são bem os nossos monstros,
que saem do armário
como fechar os olhos?

E não tenho talento com nomes interessantes, essa minha "idiossincrasia cinza" é simplesmente a junção de uma palavra que eu custei memorizar (e já consegui) com a cor que melhor me define: cinza. Mas vai ficar isso mesmo porque não tenho nenhuma alcunha melhor para o blog. E sem dramas, o layout não vai ser esse pra sempre não. Só me falta tempo.

É tão tarde que chega a ser cedo

C'est bien notre vie,
le pire des cauchemars,
comment fermer les yeux?
Quand c'est bien nous les monstres,
qui sortent du placard,
comment fermer les yeux?

Frère Jacques - Zazie

E são quase às cinco da manhã e eu resolvi criar blog.
Vai entender...